Prossumidor: o termo de 1980 que antecipou o consumidor que também produz

Placas solares no telhado que devolvem energia à rede. Vídeos, resenhas e tutoriais feitos por quem antes só assistia. Caixas de autoatendimento em que o próprio cliente registra as compras. Esses exemplos cotidianos têm uma palavra em comum, lançada há mais de quatro décadas: prossumidor. Alvin Toffler, o futurista americano, usou o termo prosumer no livro A terceira onda, publicado em 1980, para descrever uma figura que, segundo ele, ganharia cada vez mais espaço na economia.
Quem foi Alvin Toffler
Toffler foi escritor e jornalista e ficou conhecido por livros que tentavam antecipar os efeitos das mudanças tecnológicas sobre a sociedade. O primeiro grande sucesso foi O choque do futuro, de 1970, sobre o impacto psicológico de transformações muito rápidas. Uma década depois, A terceira onda propôs uma leitura ampla da história em três grandes ondas de transformação.
- A primeira onda foi a revolução agrícola, que fixou as populações na terra.
- A segunda onda foi a revolução industrial, com produção em massa, fábricas, padronização e separação clara entre quem produz e quem consome.
- A terceira onda seria a sociedade da informação, então em formação, marcada por descentralização, personalização e novas formas de trabalho.
O que Toffler quis dizer com prossumidor
A palavra junta produtor e consumidor. Para Toffler, a separação rígida entre os dois papéis era uma característica da era industrial. Antes dela, nas sociedades agrícolas, a maioria das pessoas produzia boa parte do que consumia: comida, roupas, ferramentas, abrigo.
A indústria mudou isso, criando um mercado em que uns fabricam e outros compram. Na terceira onda, argumentava o autor, essa fronteira voltaria a se confundir. Com novas tecnologias e mais informação, as pessoas passariam a fazer por conta própria atividades antes compradas prontas ou executadas por empregados de empresas.
Toffler via sinais disso em fenômenos da época, como o crescimento do faça você mesmo, dos grupos de autoajuda e do autosserviço, em que o cliente assume etapas antes feitas por funcionários. Ele também imaginava a produção cada vez mais personalizada, com o consumidor participando do desenho do que compra.
Onde o conceito se confirmou
Parte das previsões de A terceira onda envelheceu mal, como costuma acontecer com obras de futurologia. Mas a ideia do prossumidor encontrou comprovação em várias frentes.
Energia produzida em casa
A geração distribuída é talvez o exemplo mais literal. Residências, comércios e propriedades rurais com painéis solares produzem eletricidade para uso próprio e injetam o excedente na rede, recebendo créditos. No Brasil, o modelo foi regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica em 2012 e ganhou um marco legal em 2022. O consumidor de energia passou, em muitos casos, a ser também gerador.
Conteúdo feito pelo público
A internet transformou leitores, ouvintes e espectadores em autores. Enciclopédias colaborativas, avaliações de produtos, vídeos, podcasts e publicações em redes sociais são produzidos em grande parte pelas mesmas pessoas que os consomem. Plataformas inteiras dependem desse conteúdo gerado por usuários.
Autosserviço
Caixas eletrônicos, check-in on-line, totens de pedido em restaurantes e caixas de autoatendimento em supermercados transferem ao cliente tarefas antes feitas por funcionários. É uma forma de prossumo menos celebrada, mas muito presente.
Produção personalizada e colaborativa
Impressão 3D doméstica, oficinas de fabricação compartilhadas, produtos configurados pelo próprio cliente e comunidades que desenvolvem software aberto mostram consumidores participando diretamente da produção.
Os limites e as críticas
O conceito também recebeu críticas. Uma delas é que parte do prossumo representa, na prática, trabalho não pago transferido do fornecedor para o cliente: quem registra as próprias compras ou monta o próprio móvel está fazendo uma tarefa pela qual antes alguém era remunerado. Outra crítica aponta que plataformas digitais lucram com conteúdo produzido gratuitamente por usuários.
Ainda assim, a intuição de Toffler segue útil para entender tendências. Empresas que desenham produtos e serviços atualmente precisam considerar um cliente que quer participar, opinar, personalizar e, muitas vezes, produzir junto.
O que mais perguntam
- O que significa prossumidor?
- É a pessoa que produz parte daquilo que consome. A palavra junta produtor e consumidor e foi popularizada por Alvin Toffler no livro A terceira onda, de 1980.
- Quais são exemplos atuais de prossumidores?
- Quem gera energia solar em casa e injeta o excedente na rede, quem cria vídeos e avaliações na internet e quem personaliza produtos ou participa de comunidades de desenvolvimento aberto.
- Toffler inventou a palavra prosumer?
- Toffler é o autor mais associado ao termo, que ganhou projeção com A terceira onda, em 1980. A ideia de o consumidor participar da produção já aparecia em debates anteriores, mas foi nesse livro que ela se popularizou.
Em resumo
Quem foi Alvin Toffler: o essencial
Toffler foi escritor e jornalista e ficou conhecido por livros que tentavam antecipar os efeitos das mudanças tecnológicas sobre a sociedade. O primeiro grande sucesso foi O choque do futuro, de 1970, sobre o impacto psicológico de transformações muito rápidas. Uma década depois, A terceira onda propôs uma leitura ampla da história em três grandes ondas de transformação.
O que Toffler quis dizer com prossumidor: o essencial
A palavra junta produtor e consumidor. Para Toffler, a separação rígida entre os dois papéis era uma característica da era industrial. Antes dela, nas sociedades agrícolas, a maioria das pessoas produzia boa parte do que consumia: comida, roupas, ferramentas, abrigo.
Onde o conceito se confirmou: o essencial
Parte das previsões de A terceira onda envelheceu mal, como costuma acontecer com obras de futurologia. Mas a ideia do prossumidor encontrou comprovação em várias frentes.